Tatuador, seja sincero consigo mesmo. Entre todos esses problemas abaixo, qual deles você acredita que mais atrapalha seus resultados hoje?

- Técnica;

- Criação de conteúdo;

- Criação de estilo e portfólio único;

- Tempo para fazer tudo que é preciso.

Nós já fizemos essa pergunta algumas vezes aqui na The VOID. E a resposta que temos de primeira, em 70% das vezes, é a mesma: Técnica.

“Se eu melhorar a minha técnica eu consigo vender mais”.

Mas será que isso é mesmo verdade?

O ilusionismo da Tatuagem – vende mais quem tatua melhor?

Imagina você em um show de ilusionismo. Você tá no meio de uma plateia lotada, as luzes baixas, e todo mundo em silêncio.

O ilusionista sai lá de trás contando uma história. Até que ele chega no palco, pega um baralho, pede alguém da plateia pra escolher uma carta…

E dois segundos depois puxa uma carta do bolso de alguém na última fileira.

A primeira coisa que passa pela cabeça de todo mundo é:

“Meu Deus, como ele fez isso?”

Todo mundo jura que o segredo tá ali: no jeito de segurar o baralho, na velocidade do movimento, na técnica perfeita.

Mas o truque real quase nunca tá só na mão.

Tá em como ele distrai o seu olhar, em como ele conduz sua atenção e conta a história em volta daquele baralho.

Com a tatuagem, rola um truque muito parecido.

Você olha pros artistas que admira e pensa: “Eles vendem mais porque tatuam melhor.”

E aí sua cabeça fica hipnotizada pela “mão” do tatuador: pela técnica, pela máquina, pelos close de pele cicatrizada.

Só que, assim como no número de mágica, o segredo não tá só ali.

Técnica não é mais palco, é piso

Pro cliente, não existe essa régua milimétrica que você usa na sua cabeça.

Ele não pensa em “técnica Xx, a agulha Y, na tinta da marca Z, ou na marca que patrocina você. ...

No mundo real, a régua dele é muito mais simples:

“Tenho medo de ficar uma merd*”

“Parece seguro”

“Caramba, isso aqui é muito foda, é a cara dessa pessoa”

E principalmente…

“O que essa pessoa faz é muito f0d#.”

Mas então, como alcançar esse desejo na cabeça do seu cliente de tatuagem?

Cá entre nós, provavelmente você já entrega um trabalho seguro.

Algo que cicatriza bem, que não vai destruir a pele de ninguém e que é bonito.

Agora, você provavelmente conhece esses dois tipos de tatuadores:

1. O técnico respeitado pelos tatuadores

O feed é cheio de close de pele cicatrizada, estudo de valor, referência de pintura, vídeo em slow motion da máquina.

A galera da área respeita, comenta “pqp, fod#!”, salva o post…

Mas quando você olha pra agenda, não vê tanta gente assim pedindo horário, nem fila de espera, nem uma escassez mínima de agenda.

2. O artista simples e caro pros clientes

Faz desenho quase inteiro com linha simples, composição minimalista, ideia direta.

Nada muito “mirabolante” tecnicamente, pelo menos não aos seus olhos.

E, mesmo assim, cobra um valor que você ainda travaria só de passar pro seu cliente (e as pessoas pagam).

Se o jogo fosse puramente técnico, quem passasse mais horas estudando técnica estaria automaticamente à frente.

E isso simplesmente não bate com a realidade.

A prova que dói: tattoos simples, caras e que você já conseguiria fazer

Pensa em alguns artistas que você segue hoje.

Aquele cara que faz uma linha contínua, desenhando rostos, flores ou figuras abstratas, e você bate o olho e sabe:

“Esse trampo é dele.”

Tecnicamente falando, não tem nada ali que você não consiga entregar:

linha limpa, profundidade, cuidado com composição e tamanho…

Veja essas tattoos, por exemplo:

Quando você olha todas essas tatuagens juntas, percebe que elas têm uma mesma identidade?

Mesmo sem legenda, você entende que é a mesma cabeça criando aquilo.

Eu nem precisaria dizer que são do mesmo artista (Leo Campo) pra você sacar.

Agora, se a gente falar só de técnica…

É o tipo de tatuagem que, com a base que você já tem hoje, provavelmente conseguiria fazer também.

O que conta no fim, é como você vende aquilo que você JÁ SABE fazer.

Agora saca só outro exemplo:

Todas são da Luana Parucce (@lully_ink), ex-aluna do Master.

Se você reparar, elas conversam entre si:

- O mesmo diálogo entre preto e vermelho;

- Linhas que parecem “dançar” em volta do corpo,

- Formas que misturam rosto, gesto, movimento;

- Pontos e cortes de cor que seguram a composição.

E tecnicamente falando?

Linha bem construída, preto sólido, vermelho chapado, dimensão e fluxo acompanhando a anatomia.

Nada disso é um “segredo místico”...

E é exatamente o tipo de fundamento que você treina todo dia.

Mas quando você vê as três juntas, já não parece “só” linha, preto e vermelho.

Parece a forma da Luana pensar o mundo na pele.

O que eu quero dizer aqui é:

Esses artistas estão usando a mesma matéria-prima que você.

Agulha, tinta, pele e fundamentos que qualquer tatuador dedicado consegue alcançar.

A diferença é que eles pegaram esse pacote e transformaram em um jeito próprio de falar com o cliente, em vez de ficar mudando de língua a cada tatuagem.

Então, tatuador, esse texto não existe pra dizer que técnica não importa…

(É óbvio que importa!)

Mas pra te convidar a fazer uma pergunta incômoda:

“Com a técnica que eu já tenho hoje… estou construindo um universo que é meu, ou só repetindo o que todo mundo faz?”

Eu não tenho como responder isso por você.

O objetivo aqui é só esse: tirar o foco da agulha por alguns minutos e te encorajar a encontrar a forma que você vê o mundo.

Afinal, “ser artista” é muito sobre o seu ponto de vista das coisas, não é mesmo?

E acho que, no fundo, é também sobre visitar os espaços mais desconfortáveis dentro de você pra encontrar aquilo que te faz único. :)

Espero ter te inspirado de alguma forma…

E se quiser nossa ajuda pra potencializar a sua técnica em um estilo autoral, te convido a conhecer The VOID Master.

Até mais!

#DEIXEASUAMARCA

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